Dor na coluna lidera afastamentos do trabalho em 2024
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O ano de 2024 registrou um aumento significativo nos afastamentos do trabalho no Brasil. Segundo dados do Ministério da Previdência, mais de 3,5 milhões de benefícios foram concedidos, refletindo um cenário preocupante para a saúde dos trabalhadores.
As dores na coluna lideraram o ranking de afastamentos, sendo responsáveis por 205,1 mil benefícios concedidos. Além disso, os transtornos mentais no ambiente corporativo apresentaram um crescimento alarmante, com um aumento de 67% nos afastamentos em comparação com o ano anterior.
O impacto das dores na coluna nos afastamentos
As dores na coluna continuam sendo um dos principais problemas enfrentados pelos trabalhadores brasileiros. Esse problema afeta profissionais de diversas áreas, desde aqueles que trabalham em escritórios e passam horas em frente ao computador até operários da construção civil e motoristas que permanecem longos períodos na mesma posição.
Afinal, fatores como má postura, sedentarismo, sobrecarga física e ergonomia inadequada são as principais causas das dores na coluna. Dessa forma, a falta de investimento em mobiliário adequado, pausas regulares e práticas de alongamento e fortalecimento muscular contribuem para o aumento dos afastamentos. Como consequência, muitas empresas enfrentam prejuízos com a ausência prolongada de funcionários e a queda na produtividade.
Para reduzir esses afastamentos, é importante que as organizações adotem medidas preventivas, como ginástica laboral, cadeiras ergonômicas e treinamentos sobre boas práticas posturais. Além disso, incentivar a prática de atividades físicas fora do ambiente de trabalho pode ser uma estratégia eficaz para evitar complicações futuras.
O crescimento dos afastamentos por transtornos mentais
Além disso, cada vez mais, a saúde mental tem sido um fator determinante para a qualidade de vida no trabalho. Em 2024, os transtornos mentais e comportamentais foram uma das principais causas de afastamento, demonstrando um agravamento da crise emocional enfrentada por muitos trabalhadores.
Esse aumento expressivo de 67% em relação a 2023 evidencia a necessidade urgente de medidas preventivas e de suporte psicológico dentro das empresas.
Dessa forma, a sobrecarga de trabalho, a pressão por produtividade, o assédio moral e a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional são alguns dos principais fatores que desencadeiam transtornos como depressão, ansiedade e síndrome de burnout.
Sendo assim, é importante que empregadores e gestores adotem estratégias para promover um ambiente de trabalho mais saudável, com políticas voltadas para o bem-estar psicológico dos funcionários.
Além disso, a pandemia de anos anteriores deixou marcas profundas no comportamento das pessoas em relação ao trabalho. O modelo híbrido, o home office e a digitalização de diversas atividades geraram benefícios, mas também trouxeram desafios, como o isolamento social, o aumento da carga horária e a dificuldade de separar o trabalho da vida pessoal. Esse cenário contribuiu para o aumento expressivo dos transtornos mentais, impactando diretamente os afastamentos registrados.
Outro fator relevante é a falta de acesso a tratamento adequado. Muitos trabalhadores enfrentam dificuldades para conseguir atendimento psicológico ou psiquiátrico, seja por falta de tempo, recursos financeiros ou estigma em relação à busca por ajuda. Como resultado, os sintomas se agravam ao longo do tempo, levando a afastamentos mais longos e recorrentes.
Outros motivos relevantes de afastamento
Além das dores na coluna e dos transtornos mentais, diversas outras enfermidades levaram ao afastamento de trabalhadores em 2024. Entre elas, destacam-se:
1. Lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT)
O impacto das atividades repetitivas e da postura inadequada resultou em um alto número de afastamentos, reforçando a importância de medidas ergonômicas nos ambientes corporativos. Profissionais que trabalham por longos períodos digitando, operando máquinas ou realizando movimentos repetitivos são os mais afetados.
2. Doenças respiratórias
Com a volta dos surtos de viroses e infecções respiratórias, muitos trabalhadores precisaram se afastar temporariamente para recuperação. A exposição a ambientes fechados e a poluição também foram fatores que contribuíram para esse aumento. Doenças como a gripe, a COVID-19 e infecções pulmonares foram responsáveis por um número significativo de afastamentos.
3. Doenças cardiovasculares
Problemas como hipertensão e infartos se tornaram mais comuns entre os afastamentos registrados, muitas vezes relacionados ao estresse excessivo e aos hábitos pouco saudáveis dos trabalhadores. O sedentarismo, a má alimentação e a falta de acompanhamento médico preventivo também são fatores que aumentam o risco dessas doenças.
4. Acidentes de trabalho
Apesar dos avanços nas políticas de segurança laboral, os acidentes no ambiente de trabalho continuam sendo uma das razões para afastamentos, especialmente em setores como construção civil, indústria e transporte. Quedas, cortes, fraturas e lesões graves fazem parte do cotidiano de algumas profissões de alto risco.
5. Doenças infecciosas e parasitárias
Em algumas regiões, doenças como dengue, chikungunya e leptospirose ainda impactam a saúde dos trabalhadores, levando a afastamentos temporários. Essas enfermidades são mais comuns em áreas onde há menor infraestrutura sanitária e altos índices de infestação por mosquitos transmissores.
A necessidade de mudanças no ambiente corporativo
O crescimento alarmante dos afastamentos por dores na coluna e transtornos mentais, aliado às demais enfermidades que impactam os trabalhadores, reforça a necessidade de mudanças estruturais nas empresas. É indispensável que as organizações invistam em programas de saúde ocupacional, promovam condições de trabalho mais equilibradas e garantam suporte psicológico adequado aos seus colaboradores.
Empresas que implementam ações voltadas à saúde mental e física têm visto melhorias na produtividade, na retenção de talentos e na satisfação dos funcionários. Algumas medidas que podem ser adotadas incluem:
- Flexibilização da jornada de trabalho: permitir horários mais adaptáveis pode reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
- Incentivo ao home office e ao trabalho híbrido: o equilíbrio entre trabalho remoto e presencial pode proporcionar mais conforto e eficiência.
- Criação de espaços de descompressão: ambientes para descanso, lazer e socialização ajudam a reduzir a pressão do dia a dia.
- Acompanhamento psicológico e fisioterapêutico: oferecer assistência dentro das empresas ou por meio de convênios pode ajudar os funcionários a lidarem com problemas emocionais e físicos antes que eles se agravem.
- Treinamento para gestores: a capacitação de líderes para reconhecer sinais de esgotamento e problemas posturais pode ser uma estratégia eficiente para evitar afastamentos prolongados.
- Campanhas de conscientização: informar os trabalhadores sobre a importância da saúde física e mental ajuda a reduzir o estigma e incentiva a busca por apoio.
A implementação de medidas preventivas, a promoção de um ambiente corporativo mais empático e o incentivo ao bem-estar dos funcionários são essenciais para reverter esse cenário preocupante. Empresas que investem na saúde física e mental de seus colaboradores não apenas reduzem afastamentos, mas também criam equipes mais motivadas e produtivas, garantindo benefícios para todos os envolvidos.