reajuste dos planos individuais

O impacto do reajuste dos planos individuais na saúde suplementar

04 junho, 2024

Nos últimos anos, os beneficiários de saúde puderam observar de perto as alterações no reajuste dos planos individuais. Afinal, a cada ano que passa, os valores são alterados. Dessa forma, para 2024, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu que esse valor deve ficar na média de 7%

Então, com exceção da taxa negativa aplicada em 2021, de -8,19%, devido à pandemia, o valor do reajuste dos planos individuais em 2024 será o menor em uma década. O valor será analisado pelo Ministério da Fazenda e, após o processo de aprovação, o índice deve ser aplicado aos contratos e vigorar entre maio de 2024 e abril de 2025

Toda essa questão está diretamente ligada à diminuição na oferta dos planos individuais. Aliás, prova disso são os dados recentes que revelam que as operadoras cortaram cerca de 90% dos planos de saúde familiares. Ou seja: os planos individuais e familiares estão se mostrando cada vez menos rentáveis para as operadoras. E muito disso passa pelo valor do reajuste dos planos individuais. Continue lendo e entenda mais!  

– Saiba mais sobre o assunto: Operadoras cortam 90% dos planos de saúde familiares

A diferença entre o reajuste dos planos individuais e o reajuste dos planos empresariais

Hoje os beneficiários de planos individuais somam menos de 18% dos 51 milhões na saúde suplementar. Entretanto, o reajuste desses contratos é um balizador para o dos planos coletivos, que não é regulado pela ANS. 

Inclusive, os planos de saúde coletivos empresariais terão um reajuste bem mais alto. Pelo terceiro ano seguido esse valor alcançará os dois dígitos, conforme mostra o relatório da XP. Também, para se ter uma ideia, as projeções para 2024 indicam a possibilidade de reajuste do plano de saúde empresarial de até 25%, conforme reportagem do Valor Econômico.

Isso acontece justamente pelos planos individuais e familiares terem os seus valores regulamentados pela ANS, coisa que, conforme citamos brevemente acima, não acontece com os planos de saúde coletivos e empresariais.

A grande diferença no valor do reajuste dos planos individuais para os empresariais gera dúvidas aos beneficiários. Além disso, também traz à tona questões importantes para as operadoras e empresas contratantes. Afinal, essa grande discrepância reforça que o aumento repassado pelas operadoras para os planos coletivos está acima do esperado. 

– Veja também: Reajuste do plano de saúde em 2024: como funciona?

O impacto do reajuste dos planos individuais na saúde suplementar

Agora que você já sabe mais sobre o contexto do reajuste dos planos individuais, é hora de compreender como essa ação impacta a saúde suplementar como um todo. Selecionamos alguns tópicos que merecem destaque, como:  

Pressão nas operadoras

Como o reajuste dos planos individuais é muito mais baixo do que o dos planos coletivos e empresariais, há uma pressão nas operadoras para que altere-se a forma de calcular e repassar os reajustes, assim como uma revisão técnica dos contratos. 

Essa revisão pode estar relacionada com o objetivo de aumentar o valor dos reajustes individuais, alegando que eles são deficitários, assim como o caminho oposto quando o assunto são os planos coletivos. Ou seja: a revisão de contratos para diminuir o reajuste nesses modelos de convênios, que representam a grande maioria dos convênios no país e passam por reajustes muito mais altos. 

Por fim, seja como for, um dos impactos do reajuste dos planos individuais na saúde suplementar é a pressão direta nas operadoras de saúde. 

Sustentabilidade financeira e qualidade dos serviços

O menor índice de reajuste dos planos individuais pode comprometer a sustentabilidade financeira das operadoras, já que os custos médicos tendem a aumentar acima da inflação geral. Por fim, isso pode levar a dificuldades em manter a qualidade do atendimento e a solvência da operadora.

Além disso, com reajustes limitados, as margens de lucro das operadoras ficam mais comprimidas. Dessa forma, pode haver um investimento menor em inovação, tecnologia e nas melhorias nos serviços oferecidos.

Subsidiação cruzada entre convênios para “compensar” o reajuste dos planos individuais

Com o ajuste dos planos empresariais mais alto do que os individuais, as operadoras podem utilizar os ganhos dos convênios corporativos para subsidiar os planos individuais, ajudando a equilibrar as finanças da empresa como um todo. 

Além disso, a diferença nos reajustes permite que operadoras criem estratégias de preços diferenciadas, onde planos corporativos podem sustentar maiores investimentos e inovação. Enquanto isso os planos individuais permanecem acessíveis, mas podem ter limitações no crescimento de custos.

Por fim, o que fica de lição é que encontrar o equilíbrio entre o reajuste dos planos individuais e o dos planos corporativos é de extrema importância para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar como um todo

Para isso, as operadoras precisam gerir bem os recursos em busca de garantir a qualidade dos serviços, enquanto beneficiários e empresas buscam opções acessíveis e vantajosas para valorizar a saúde. Além disso, cabe às empresas e aos próprios beneficiários buscarem entender mais sobre como utilizar o plano de saúde de forma estratégica, aplicando boas práticas e fazendo a sua parte em busca da sustentabilidade do setor.

Conteúdo atualizado dia 05/06

Divulgamos esse texto inicialmente 04/06, um dia antes do lançamento oficial da ANS sobre os reajustes dos planos de saúde.

Após o lançamento do artigo da ANS, ficou concretizado o que havíamos previsto:

  • Ficou limitado a 6,91% o percentual de reajuste anual que poderá ser aplicado aos planos de saúde de assistência médica individuais e familiares regulamentados (contratados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98). O percentual é o teto válido para o período entre maio de 2024 e abril de 2025. Além disso, ele é válido para os contratos de quase 8 milhões de beneficiários, o que representa 15,6% dos 51 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil (dados de março de 2024).

Então, gostou de saber mais sobre o impacto do reajuste dos planos individuais na saúde suplementar? Para ficar sempre por dentro das principais novidades e atualizações referentes ao setor da saúde no Brasil, continue acompanhando o nosso blog!

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