Expansão das clínicas especializadas em TEA no Brasil
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Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado um crescimento expressivo no número de diagnósticos relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esse aumento, que acompanha uma tendência global, não apenas trouxe mais visibilidade à neurodiversidade, como também desencadeou transformações significativas no setor de saúde suplementar.
Em especial, destaca-se a expansão acelerada de clínicas especializadas em TEA, fenômeno que vem alterando a forma como as operadoras de saúde se estruturam para atender a essa demanda crescente.
O crescimento dos diagnósticos: um panorama atual
Para compreendermos a magnitude dessa mudança, é importante considerar dados concretos. Ao longo dos últimos anos, o número de diagnósticos de TEA aumentou substancialmente em todo o território nacional. Esse movimento pode ser atribuído a uma série de fatores, como a maior conscientização da população, avanços tecnológicos em diagnósticos precoces, além do fortalecimento de campanhas de saúde pública voltadas à identificação e ao tratamento de transtornos neurodivergentes.
Consequentemente, essa nova realidade acabou gerando efeitos colaterais inesperados. Um deles foi o surgimento de uma rede especializada no tratamento de TEA, até então inédita no Brasil. Operadoras de saúde, que antes não registravam custos significativos com esse tipo de tratamento, passaram a sentir um impacto financeiro considerável, sobretudo após a pandemia de COVID-19, que trouxe mudanças profundas no comportamento dos beneficiários e na procura por serviços de saúde.
A resposta do setor: investimento e expansão
Diante dessa nova configuração, as empresas do setor de saúde suplementar foram obrigadas a se adaptar rapidamente. Entre as principais estratégias adotadas, destaca-se o investimento em clínicas especializadas e a criação de centrais exclusivas de atendimento. Esse movimento não apenas visa suprir a demanda crescente, como também busca otimizar os custos e garantir um padrão elevado de qualidade nos serviços oferecidos.
Um exemplo emblemático desse processo é o Grupo Hapvida, uma das maiores operadoras de saúde do país. Com quase 16 milhões de beneficiários, a empresa adotou uma abordagem robusta para lidar com a nova realidade.
Só em 2024, a Hapvida investiu R$ 40 milhões na abertura de 35 novas unidades especializadas em TEA, totalizando 86 clínicas distribuídas pelas cinco regiões do Brasil. Essas unidades contam com 366 salas de atendimento e têm capacidade para receber até 30 mil pacientes com TEA. Além disso, já está previsto o investimento de outros R$ 40 milhões em 2025, com a abertura de mais 15 clínicas.
Essa expansão reflete uma tendência mais ampla de verticalização das operadoras, que passam a internalizar serviços antes terceirizados. Com isso, ganham maior controle sobre a prestação de serviços, conseguem padronizar protocolos de atendimento e, ao mesmo tempo, combatem de forma mais eficiente práticas fraudulentas, que cresceram paralelamente ao aumento da demanda.
Transição para um novo modelo de atendimento
Além disso, vale destacar que essa nova estrutura surge como uma resposta ao aumento dos custos e também como uma tentativa de melhorar a experiência do paciente.
Clínicas especializadas são capazes de oferecer um atendimento mais humanizado, com equipes multidisciplinares treinadas especificamente para lidar com as necessidades de pessoas com TEA. Dessa forma, além de otimizar o uso dos recursos, promove-se um cuidado mais efetivo e individualizado.
Ademais, o controle mais rigoroso sobre a rede prestadora de serviços permite que as operadoras identifiquem e combatam fraudes com maior eficiência. Infelizmente, a explosão na procura por tratamentos voltados ao TEA também incentivou práticas irregulares, que comprometem a sustentabilidade do sistema. Diante disso, o cadastramento de prestadores selecionados e a auditoria constante se tornaram medidas essenciais.
Impactos diretos na saúde suplementar
Em função de todas essas transformações, o setor de saúde suplementar vive hoje um momento de reconfiguração. Por um lado, há a necessidade de absorver a nova demanda com qualidade e eficiência. Por outro lado, existe a preocupação legítima com o equilíbrio financeiro do sistema. Afinal, a sustentabilidade das operadoras depende de uma gestão cuidadosa dos custos, especialmente diante de mudanças abruptas, como foi o caso do aumento de diagnósticos de TEA.
Nesse contexto, a expansão das clínicas especializadas surge como uma solução viável e estratégica. Com isso, cria-se um ambiente mais seguro tanto para os pacientes quanto para as operadoras, que passam a ter maior controle sobre os fluxos de atendimento e sobre os recursos utilizados.
Expectativas para o futuro: mais inclusão e inovação
Olhando para frente, é possível projetar que a demanda por serviços especializados continuará crescendo. A tendência é que cada vez mais famílias procurem diagnóstico e tratamento precoce para o TEA, e que a sociedade como um todo avance na compreensão e valorização da neurodiversidade. Nesse cenário, espera-se que outras operadoras sigam os passos da Hapvida, investindo em infraestrutura, capacitação e tecnologia.
Além disso, a discussão sobre TEA deve ultrapassar os limites do setor de saúde e se expandir para outros ambientes, como o corporativo. Muitas empresas têm se mobilizado para entender melhor as necessidades de colaboradores neurodivergentes, adaptando seus processos e promovendo ambientes mais inclusivos. Essa mudança cultural, embora ainda em curso, já apresenta avanços significativos.
Em resumo, o aumento nos diagnósticos de TEA e a consequente expansão das clínicas especializadas refletem uma mudança profunda no setor de saúde suplementar no Brasil. Trata-se de uma adaptação necessária e estratégica, que visa garantir atendimento de qualidade, combater fraudes e equilibrar os custos operacionais.
Por fim, é fundamental que esse movimento se mantenha em constante evolução, com foco na inclusão e na humanização dos serviços.
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