Planos de saúde em 2024: lucro cresce e sinistralidade cai
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O ano de 2024 foi extremamente positivo para o setor de saúde suplementar no Brasil. Enquanto os desafios econômicos e estruturais ainda rondam o mercado, os planos de saúde conseguiram, surpreendentemente, fechar o ano com resultados robustos.
De fato, além de registrarem um lucro líquido expressivo, também houve uma queda significativa na sinistralidade, o que, sem dúvida, representa um avanço importante. Ao longo deste artigo, vamos detalhar os principais números, destacar os fatores que contribuíram para esse cenário e analisar as perspectivas para o futuro.
Lucro líquido sobe de forma expressiva
Em primeiro lugar, é essencial observar o resultado financeiro do setor. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde médico-hospitalares alcançaram um lucro líquido de R$10,2 bilhões em 2024. Esse valor representa um aumento notável quando comparado aos R$1,9 bilhões registrados em 2023. Ou seja, em apenas um ano, o setor multiplicou seus lucros por mais de cinco vezes, algo que dificilmente passa despercebido.
Não apenas o montante impressiona, mas também o fato de que o lucro obtido corresponde a 3,16% da receita total do setor, que atingiu R$350,1 bilhões. Desse total, R$256,7 bilhões foram destinados a despesas assistenciais, o que evidencia uma boa gestão dos recursos disponíveis.
Além disso, é importante destacar que esse resultado foi fortemente influenciado por operadoras de grande porte, que, por sua vez, aplicaram reajustes nas mensalidades e mantiveram as despesas sob controle.
Sinistralidade em queda: um sinal de eficiência
Além do lucro, outro dado que merece atenção é o índice de sinistralidade. Para quem não está familiarizado com o termo, sinistralidade se refere ao percentual da receita das operadoras utilizado para cobrir despesas assistenciais, como consultas, exames, internações e outros procedimentos. Ou seja, quanto menor esse número, mais eficiente é a gestão dos recursos.
Em 2024, a sinistralidade média do setor foi de 83,8%. Esse é, sem dúvida, um dos melhores índices dos últimos anos, ficando atrás apenas do ano de 2020 — quando a pandemia de Covid-19 reduziu drasticamente a utilização dos serviços de saúde por parte dos beneficiários. Em outras palavras, estamos falando de um marco importante que demonstra maior controle de custos e melhor equilíbrio financeiro nas operadoras.
Diferenças entre as operadoras
Por outro lado, é importante observar que os resultados não foram homogêneos entre os diferentes tipos de operadoras. As seguradoras, por exemplo, apresentaram uma sinistralidade de 87,2%, enquanto as medicinas de grupo (modelo verticalizado) tiveram uma sinistralidade mais baixa, de 77,8%. As cooperativas ficaram próximas da média, com 83,7%.
Porém, as autogestões e as entidades filantrópicas destoaram do restante do setor. As autogestões, que são operadoras voltadas para grupos fechados de beneficiários (como funcionários de uma empresa), apresentaram uma sinistralidade de 95%, indicando que praticamente toda a receita foi consumida com despesas assistenciais. Já as filantrópicas, por sua vez, registraram 81%, número também considerado elevado.
Desafios e perspectivas para o setor da saúde suplementar
Embora o cenário atual seja amplamente positivo, ele não está isento de desafios. Há uma heterogeneidade importante no setor que não pode ser ignorada. Nas autogestões, estima-se que cerca de 40 operadoras estão em situação de prejuízo, enquanto, nas medicinas de grupo, aproximadamente 85 empresas enfrentam dificuldades.
Dessa forma, ainda que os números globais sejam animadores, é importante que o setor continue avançando em termos de gestão, precificação e controle de sinistros. Além disso, é necessário garantir que os resultados positivos se revertam em benefícios para os beneficiários, seja na forma de serviços mais qualificados, seja na ampliação do acesso e da cobertura.
Planos de saúde em 2024: retomada ao patamar pré-pandemia
Quando olhamos para trás, é fácil perceber o quanto o setor sofreu nos anos de pandemia, especialmente entre 2020 e 2022. Contudo, os dados de 2024 mostram que houve uma retomada ao patamar de 2019, ano em que o lucro das operadoras também foi elevado, chegando a R$11,7 bilhões. Portanto, podemos considerar que o setor reencontrou sua trajetória de crescimento e estabilidade.
Essa retomada, aliás, é vista como essencial para a saúde suplementar no Brasil. Afinal, um setor financeiramente saudável é capaz de atrair investimentos, desenvolver novas tecnologias, lançar produtos mais personalizados e, acima de tudo, oferecer um atendimento mais eficiente aos seus milhões de beneficiários.
Impacto dos rendimentos financeiros
Não podemos deixar de mencionar outro fator que contribuiu para o bom desempenho das operadoras em 2024: os rendimentos financeiros. Além das receitas advindas das mensalidades, as operadoras também investem seus recursos em diferentes ativos financeiros.
Em 2024, esses investimentos contribuíram de forma importante para os lucros, complementando o resultado operacional e ajudando a suavizar eventuais oscilações nos custos assistenciais.
Além disso, o setor também se beneficiou de um ambiente econômico mais estável, com inflação controlada e taxas de juros favoráveis, o que permitiu uma maior previsibilidade na gestão de custos e receitas.
Monitoramento constante no setor da saúde
Por fim, vale lembrar que a ANS segue acompanhando de perto todos os indicadores econômico-financeiros das operadoras. O objetivo é garantir que os resultados positivos se mantenham ao longo do tempo, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados e, principalmente, a segurança dos beneficiários.
Como reforçou a agência, é importante manter um equilíbrio saudável entre receitas e despesas assistenciais. Isso não só assegura a sustentabilidade do setor, como também protege os consumidores contra reajustes abusivos e outras práticas prejudiciais.
A saúde suplementar é um dos pilares do sistema de saúde brasileiro, e seu fortalecimento é essencial para garantir o bem-estar de milhões de brasileiros. Por isso, acompanhar de perto os números, as tendências e as mudanças no setor é uma tarefa importante para todos os envolvidos — desde gestores e profissionais de saúde até os próprios beneficiários.
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